Falando sério
>> 30 de dez. de 2009
Estive pensando esses dias no caso da blogueira e publicitária Marisa Toma (foto ao lado), conhecida como Ematoma na internet, que em agosto deste ano se suicidou e despediu-se no Twitter. A conta já foi apagada, mas não consigo esquecer os dois últimos tweets dela: "tomando algumas decisões bastante definitivas" e "bai pipou! foi bom brincar com vocês! bjo bjo", em sua respectiva ordem.
Daí, me vem à cabeça o post de um blog de uma amiga dela. Vocês podem ver que a amiga a descreve como uma pessoa doce, "sempre a mais risonha". De sonhos simples e de medos bobos, e não tinha noção de sua grandeza.
Mas o que mais me chamou a atenção desta homenagem à Marisa Toma foi a parte em que diz que tinha semanas em que ela só reclamava. E eu percebi que, mesmo sem nem a conhecer (nem virtualmente; só soube de sua existência depois de sua morte), já tinha entendido um pouco do seu eu.
Conheço muito bem esse tipo de gente. São pessoas carentes, inseguras e dependentes dos outros, mas só permitem um número limitadíssimo de pessoas saberem disso. São como um iceberg, não conseguem expressar seus sentimentos.
Essas pessoas são consideradas as mais alto-astrais da sociedade. Raramente alguém as vê chorando e, quando sim, o choro é de raiva, e não de tristeza. Dão conselhos amorosos. Riem mais que todos juntos. São ótimos companheiros. Mas, geralmente, ficam em segundo plano.
Pensando melhor, até que elas sabem se expressar, mas indiretamente. Quando estão tristes ou inseguras, tendem a conversa para esse lado, mas nem todos percebem. É que essas pessoas se conhecem, e geralmente, quando falam de coisas tristes não se controlam e desabam a chorar e a reclamar, reclamar, reclamar. Por isso têm medo de falar abertamente sobre sua vida pessoal.
Ah, e quase me esqueço, elas precisam de um amor. Quase sempre são tímidas, e ficam em segundo plano ou servindo de "pessoas substitutas". Amam incondicionalmente e fazem tudo pelo pretendente. Isso porque, repito, elas precisam de alguém. Alguém para desabafar, para servir de apoio, para abraçar, para... simplesmente, amar e dizer que faz tudo por ele(a). Por quê? Porque elas são as pessoas mais inseguras deste mundo.
Na minha opinião, o pior problema delas são exageradas, e não páram de dizer "Te amo". É, elas cansam, e percebem que cansam. E por isso guardam a angústia que sentem, é, simplesmente guardam. Todas as frustrações, angústias, tristezas... ficam lá, no coração, por medo de cansar e perder os amores de sua vida. E todas essas coisas ruins vão juntando...
Até que chega uma hora que a pessoa como esta que venho descrevendo "toma uma decisão bastante definitiva" e suicida-se. A decisão não é planejada, é momentânea. Porque se for planejada, uma pessoa como esta reconhece que este ato de suicidar-se é bastante egoísta e desiste de PENA dos outros. Ou até de medo, de todos a achá-la completamente idiota.
Por isso, peço a todos vocês que neste ano que se inicia daqui a 1 dia, para que somente prestem atenção.
Se notar que algum amigo(a) seu(sua) que é espontâneo, alegre e alto astral vem tendenciando as conversas para a vida pessoal, se auto-destruindo com frases tipo "eu sou um idiota" ou "eu nunca vou achar alguém", dê atenção à ele ou ela.
Pessoas como essa que descrevi durante o texto precisam de carinho. Elas precisam de conversar, de desabafar. Você achará difícil arrancar coisas delas de primeira, mas não desista, elas são assim mesmo. Não economize elogios, diga que as ama.
Isso é meu único pedido de 2010 para os leitores deste blog: aja agora pois amanhã pode ser tarde demais. Não deixe que pessoas como a Marisa tomem "decisões bastante definitivas". Eu falo isso porque... eu sou uma delas.
Frederico Read more...


