Zeca Camargo, seus "tempos de MTV" realmente já passaram
>> 14 de fev. de 2011
Apenas o fato de ser fã de Justin Bieber já revela muito sobre mim (provavelmente as piores coisas estão vindo à sua cabeça neste momento, mas só para deixar claro: gosto de mulher). Expõe o fato de que eu, e mais milhares de fãs ao redor do mundo, sofremos diariamente crítica após crítica do nosso "ídolo". E é em resposta a essas críticas que crio este post. Não para os chamados haters, mas para criticar o atual apresentador do Fantástico, Zeca Camargo.
Uma coisa que minha professora de Redação do colégio onde estudo sempre fala para mim e para os outros alunos é que você deve ler. "Quem não lê não sabe escrever", foi a frase que eu ouvi hoje do coordenador pedagógico e também professor de Redação dos terceiros anos do Ensino Médio. Eu, paticularmente, não gosto de ler "naturalmente": leio o que me interessa e o que é necessário. Não vou fazer um texto sobre a extinção do mico-leão-dourado porque eu simplesmente não tenho conhecimento sobre o assunto.
Eis que surge Zeca Camargo, jornalista da maior emissora da televisão brasileira na atualidade e apresentador do que deve ser um dos (senão o maior) programas de notícias do Brasil, e publica em seu blog no globo.com uma matéria sobre a rivalidade pop atual e a rivalidade da indústria musical há décadas atrás. Nota-se: a descrição do blog é "Um giro pelo universo da cultura, do pop e da cultura pop". Descobri lendo essa matéria que um dia ele já foi da MTV. Ao que parece, há muito tempo atrás, não é? Mas vou chegar lá.
A matéria publicada nesta segunda-feira (14) chama-se "Gaga x Bieber x Britney (e Blur x Oasis)", que já é confusa pelos artistas atuais nessa rivalidade a qual ele descobriu entre eles e, por um motivo revelado apenas no começo do texto, duas bandas do século passado também inseridas nesse meio.
O apresentador do Fantástico começa sua matéria falando sobre a disputa entre a banda Blur e Oasis na década de 90. Como conheço - apenas pelo nome - uma dessas duas bandas, nada a comentar sobre a introdução. Mas depois a atualidade começa a surgir...
[...]
Mas será que essa música era mesmo inferior a “Country house”? Seria a faixa do Blur tão superior assim, a ponto de liderar a preferência popular. Ou ainda: será que essa discussão era tão importante assim?
A pergunta me parece bastante oportuna pelo frisson que três das maiores estrelas do pop atual causaram este fim-de-semana ao “lançarem” novas canções. O verbo “lançar” está entre aspas, por razões óbvias: um lançamento oficial de uma música pop hoje em dia é algo bastante relativo: com tantos “leaks” (ou vazamentos) que rolam hoje em dia na internet, é quase impossível manter mistério – ou mesmo uma exclusividade – sobre essas “estréias”. O que não impede os artistas de insistirem em criar um clima em cima desses (hoje) pseudo- eventos – como, aliás, Lady Gaga fez com sua “Born this way”, na última sexta-feira.
Gaga, claro, é apenas um vértice desse triângulo de estrelas que vem enlouquecendo o tráfego do twitter desde meados da semana passada – os outros, como você já adivinhou (aliás, está escrito no título lá em cima!), são Britney Spears e Justin Bieber – respectivamente com “Hold it against me” e “Dr. Bieber”.
Parou. O texto estava indo na direção certa até... "Dr. Bieber"? Vamos à avaliação: "Born This Way" é o primeiro single do próximo álbum de Lady Gaga, uma faixa que ela referiu-se como "o hino de uma geração" e que vem tendo um buzz desde a época do MTV Video Music Awards 2010, em Setembro do ano passado, quando a cantora cantou um trecho da sua "tão esperada música" depois de ganhar vários prêmios na premiação como agradecimento a seus fãs.
"Hold It Against Me" é mais um retorno de Britney Spears. Depois do sucesso de "Womanizer", a princesinha do pop quer concretizar sua volta com o lançamento desse seu mais novo single, que já foi lançado há várias semanas e bateu incríveis recordes tanto nas vendas digitais da música nas lojas americanas quanto suas execuções nas rádios dos Estados Unidos.
Aí vem "Dr. Bieber"... um leak, como Zeca Camargo comentou em seu próprio texto, que veio "do nada" e surgiu na Internet, como aconteceu com duas últimas faixas de Justin, "Ride" e "Latin Girl", há algumas semanas. Mas continuando com o incrível texto de Camarguinho...
A histeria tem sido tanta que chego a duvidar que se, por exemplo, o ditador egípcio Hosni Mubarak tivesse renunciado à presidência do Egito, ou Ronaldo “Fenômeno” tivesse anunciado o fim de sua carreira como jogador, eu duvido que veríamos a mesma repercussão!
O quê? Mubarak renunciou? Ronaldo se aposentou? Mesmo? Calma! Estou brincando com fatos que de fato aconteceram, mas você me entendeu. Não estou fazendo aquela demagogia barata que de vez em quando aparece num comentário por aqui (e alhures!) na linha: “com tanta coisa acontecendo no mundo, vocês ficam falando de música pop?”… Só quis dar uma idéia da proporção das coisas: a tríade que atualmente impera no universo musical provocou um furacão de proporções razoáveis na internet nos últimos dias (e deve continuar provocando) deixando para trás eventos chacoalhantes da nossa vida cotidiana. Mas quem disse que as novidades desses artistas também não são “importantes” para o nosso dia-a-dia? Por isso, vamos a eles. Mas, antes de dar minha opinião sobre cada uma dessas faixas, porém, convido você a refletir um pouco sobre a importância do que está acontecendo para os “anais do pop”.
Essa parte da matéria é até bacana, ele afirmar que o mundo pop é quase tão importante quanto Ronaldãozão guardar as chuteiras. É disso que eu vivo e pretendo viver por muitos anos a vir na minha vida. Continuando...
E, para isso, aqui vai uma informação, que resgatei lá dos meus tempos de MTV: sabia que a faixa que a gravadora (e mesmo os artistas) escolhem para a ser a primeira a ser lançada de um novo álbum (cuja expectativa está nas alturas) nunca é a melhor do disco? Faz sentido: se você tem uma legião de fãs ansiosos para ouviu “qualquer coisa” de uma mega banda – ou um super artista –, o natural é que você lance… qualquer coisa! As pessoas – ou melhor, os fãs – vão consumir o que quer que venha de seus ídolos. Depois desse momento inicial, aí começam a vir as músicas realmente boas, fundamentais para garantir aos fãs que eles não estavam errados: aquele é mesmo o artista que eles tanto esperavam ouvir com novo material!
Eu não sei há quanto tempo Zeca Camargo saiu da MTV, mas deve fazer muitos anos... Tudo bem que o chamado "primeiro single" pode não ser a melhor faixa de álbum, mas com certeza não é "qualquer coisa". O mercado fonográfico de hoje vai muito além de uma enorme base de fãs, que para a sorte dos artistas mencionados neste texto, são enormes. E mais uma vez: "Dr. Bieber" está longe de ser o primeiro single ou a capa do livro que representa o próximo álbum de Justin Bieber. Foi apenas um leak, Zeca, lembra?
Assim, para chamar atenção para três dos mais esperados álbuns de 2011 – justamente os de Lady Gaga, Britney Spears e Justin Bieber –, seria natural que os três artistas viessem apenas com “aperitivos” do que eles são realmente capazes de mostrar.
Fãs desses três artistas, antes de sair twittando que eu estou falando mal de seus respectivos ídolos (e meus também, enquanto devoto de cultura pop), tentem pelo menos ler um parágrafo até o fim – ou melhor, eu vou facilitar: tentem ler pelo menos uma frase até o fim, justamente a seguinte. “Hold it against me”, “Born this way”, e “”Dr. Bieber” são faixas poderosas, com Spears, Gaga, e Bieber (respectivamente) esbanjando o que cada um sabe fazer de melhor. Eu mesmo tenho elogios a fazer a cada uma dessas músicas (já já!). Mas quando chamei essas canções de “aperitivo”, é na crença absoluta de que vem coisa melhor por aí! E olha que o que já ouvimos até agora já é muito bom.
Vamos analisar estes dois parágrafos: no primeiro, senhor Camargo afirma que os álbuns de Bieber, Gaga e Britney são um dos mais esperados do ano. É verdade, a analisar pela quantidade de fãs de cada artista, os três álbuns são um dos mais aguardados em 2011.
Já no segundo parágrafo, ele afirma "“Hold it against me”, “Born this way”, e “”Dr. Bieber” são faixas poderosas, com Spears, Gaga, e Bieber (respectivamente) esbanjando o que cada um sabe fazer de melhor.". Concordo plenamente ao dizer que "HIAM" e "BTW" são faixas que representam muito bem seus artistas, mas "Dr. Bieber"? Não.
Apesar de Justin Bieber ser rotulado pela mídia como artista "pop", quem ouve seus álbuns pode perceber perfeitamente que a maioria das músicas soam mais como um R&B romântico. Não vou comentar muito sobre a música agora porque o momento certo vai chegar.
Passemos então para Justin Bieber – que também fez uma aparição no mínimo curiosa no Grammy de ontem. (Estou aqui tentando não comentar sobre a cerimônia, o que desviaria demais do que quero falar hoje – mesmo para meus parâmetros de divagação… Ainda assim, diga lá: você também achou a reunião de Bruno Mars, B.o.B., e Janelle Monae, uma das melhores coisas da noite, musicalmente falando? Cindy Lauper, que logo chega aqui no Brasil, aplaudiu de pé… Bom, retomando…). Antes de mais nada, que achado aquele vídeo antigo dele com Usher! Foi a escada perfeita para a apresentação que viria a seguir. Para “apresentar” a nova canção “Never say never” (mais um trampolim para a trilha sonora do filme com o ídolo que está prestes a estrear) vimos primeiro sua parceria com Jaden Smith – que pareceu agradar mais papai e mamãe Smith, sentados na platéia, do que aos fãs do próprio Bieber… Bem, mas aí veio Usher, fez seu número solo direitinho, e então fomos brindados com os dois artistas (Usher e Bieber) dançando uma coreografia muito bem ensaiada e vibrante! Calou a boca de quem achava que essa combinação seria um desastre…
Se o "achado" vídeo do Justin cantando "U Got It Bad" para o Usher tivesse sido pouco, a "nova canção 'Never say never'" completou de maneira perfeita, não é? E eu gostaria de saber quais fãs do Justin Bieber ele viu reclamar da participação do Jaden, porque... De fã, só vi elogios.
Mas e “Never say never”, a canção? Boa, sim – mas, sobretudo você que é fã, não era de se esperar um pouco mais? Insisto: essa música tem mais a ver com o filme do que com o novo álbum de Bieber – e por isso, prefiro me concentrar em “Dr. Bieber”. Ainda que uma apreciação correta dessa faixa seja difícil, uma vez que “oficialmente” só conhecemos trechos da música (e nada do que eu ouvi até agora me pareceu uma sólida “versão final”). Não obstante, o que se anuncia é uma poderosa “bomba” pop – tudo em seu lugar certo: uma batida hipnótica, um verso idem (que, não por acaso, traz o nome do próprio Bieber), um óbvio apelo dançante, uma produção moderna, e ainda um toque de ousadia… será que ele emplaca como “rapper”? Antes de pensar numa resposta, atenção: se você está realmente preocupado ou preocupada com isso é porque, como diz a própria música, você já está infectado com a “febre Bieber”. Desista de procurar a cura…
Não entendo... Começa dizendo que "Dr. Bieber" é o começo do projeto do novo álbum de Justin Bieber e depois reclama que "Never Say Never" tem mais a ver com o filme do que com o álbum? É CLARO! Nenhuma das duas música são para o novo álbum.
Pelo menos ele foi capaz de reconhecer que o que vazou de "Dr. Bieber" foi uma versão não finalizada da música em uma qualidade muito ruim. Agora voltando para a análise da música... Como essa música "representa de melhor" o que Justin tem para dar? A música é basicamente só rap. Primeiro Justin Bieber é pop, depois R&B e bem depois, lá no finalzinho... Ele é rap quando inventa suas ideias de nigga.
A matéria ainda continua, mas eu tenho que parar por aqui. De forma alguma estou querendo menosprezar o talento ou a qualidade de Zeca Camargo como jornalista, mas apenas acredito em uma coisa: você pode ler, mas não pode saber tudo. Se você for escrever, escreva sobre algo do seu domínio. E busque informações corretas.
E quem sou eu para falar isso para o apresentador do Fantástico da Rede Globo, não é? Olha a que ponto isso foi chegar... Read more...
